
A ideia em uma frase
Ordene as causas por frequência, da maior para a menor, e acumule o percentual. Na maior parte dos casos, duas ou três causas respondem por 70% a 80% das ocorrências — e é nelas que a ação rende.
A proporção 80/20 é uma observação empírica frequente, não uma lei. Às vezes são 60/20, às vezes 90/10. O que importa é a forma da curva, não o número exato.
Como montar, passo a passo
- Escolha o período e a unidade de contagem. Ocorrências, reclamações, peças refugadas, horas paradas. A unidade precisa ser a mesma para todas as causas — misturar horas e ocorrências invalida a comparação.
- Conte as ocorrências por causa. Uma folha de verificação durante duas a quatro semanas costuma bastar. Contar de memória produz a ordem que a equipe já supunha.
- Ordene da maior para a menor. E calcule o percentual de cada causa sobre o total.
- Acumule o percentual. Some o percentual de cada causa aos anteriores. É a coluna acumulada que mostra onde está o corte.
- Corte onde o acumulado passa de 70% a 80%. As causas acima do corte são o alvo. As de baixo entram em observação.
Exemplo: paradas de linha em um mês
| Causa | Horas | % | % acumulado |
|---|---|---|---|
| Troca de matriz | 38 | 34% | 34% |
| Falta de material | 27 | 24% | 58% |
| Falha elétrica | 19 | 17% | 75% |
| Ajuste de qualidade | 12 | 11% | 86% |
| Falta de operador | 9 | 8% | 94% |
| Outros | 7 | 6% | 100% |
Três causas respondem por 75% das horas paradas. Atacar as três primeiras rende muito mais que espalhar esforço pelas seis — e as três de baixo somam menos que a primeira sozinha.
Cuidado com a categoria “Outros”
Se “Outros” aparece entre as três primeiras, a categorização está grossa demais e o Pareto não vai ajudar. Abra a categoria e recomece a contagem — é sinal de que as causas relevantes estão escondidas dentro dela.
Pareto e matriz GUT
| Pareto | <a href="/matriz-gut/">Matriz GUT</a> | |
|---|---|---|
| Base | Contagem real de ocorrências | Julgamento da equipe |
| Melhor quando | Existe registro do que acontece | Não há dado, ou os problemas são de natureza diferente |
| Risco | Frequente não é o mesmo que grave | Percepção influenciada pelo caso mais recente |
O risco do Pareto merece atenção: a causa mais frequente nem sempre é a mais grave. Um problema raro com consequência séria — acidente, perda de cliente grande — pode não aparecer no topo e ainda assim ser prioridade. Nesses casos, combine as duas ferramentas.
Depois do Pareto
Pareto diz onde agir, não por que o problema acontece. As causas do topo entram na análise de causa — com 5 porquês ou Ishikawa — e só depois viram plano de ação.
Achou a causa? Monte o plano
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Abrir o gerador →Perguntas frequentes
O que é o diagrama de Pareto?
É um gráfico que ordena as causas de um problema por frequência, da maior para a menor, com uma linha de percentual acumulado. Ele mostra quais poucas causas respondem pela maior parte das ocorrências.
A regra 80/20 é uma lei?
Não. É uma observação empírica frequente. Às vezes a proporção é 60/20, às vezes 90/10. O que importa é a forma da curva, não o número exato.
Onde cortar no diagrama de Pareto?
Onde o percentual acumulado passa de 70% a 80%. As causas acima do corte são o alvo; as demais entram em observação.
E se “Outros” ficar entre as primeiras causas?
A categorização está grossa demais. Abra a categoria e refaça a contagem — as causas relevantes estão escondidas dentro dela.
Pareto substitui a matriz GUT?
Não. Pareto prioriza por frequência real; a GUT prioriza por julgamento, incluindo gravidade. Um problema raro e grave pode não aparecer no topo do Pareto e ainda assim ser prioridade.
